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Vale-presente para ótica: como vender óculos de presente

Resposta curta

Na ótica, o vale-presente resolve o que um óculos de surpresa não resolve: armação, grau e ajuste são escolhas de quem vai usar. O vale em valor deixa a pessoa escolher com calma e completar a diferença se quiser. Como o ticket é alto e pode haver uma consulta antes, uma validade de 12 ou 18 meses informada na venda é a escolha mais segura.

Um senhor entra na ótica em dezembro. A esposa vive reclamando da armação, que já tem mais de cinco anos. Ele quer dar um óculos novo de Natal. Gostou de uma armação na vitrine. A atendente pergunta o grau, e ele não sabe. Pergunta se ela tem receita recente, e ele também não sabe. Pergunta se ela usa multifocal, e ele olha para o lado. A venda que parecia fácil para no balcão.

A cena é ilustrativa, mas toda ótica conhece. Óculos é um presente desejado e caro, e quase impossível de dar de surpresa. A armação é uma escolha de rosto e de gosto. As lentes dependem de receita e de grau. O ajuste depende de a pessoa estar ali. O vale-presente é o jeito de transformar esse impasse numa venda: quem dá escolhe o valor, quem ganha escolhe o óculos. Este guia mostra como montar o vale na sua ótica, que valores oferecer, que validade dar e como a equipe apresenta sem parecer que está empurrando “qualquer coisa”.

Por que óculos não se dá de surpresa

Em quase todo varejo, o vale-presente compete com o presente pronto. Na ótica, o presente pronto quase não existe. Três motivos explicam isso.

A receita é de quem usa. Para fazer lentes de grau, a ótica trabalha com a receita da própria pessoa. Quem dá o presente não tem esse documento, e nem deveria ter. Pedir a receita escondido estraga a surpresa e expõe uma informação que é de quem vai usar.

A armação é pessoal. Formato do rosto, cor, peso, estilo. Uma armação linda na vitrine pode não servir em quem vai usar. É o tipo de presente que a pessoa quer experimentar em frente ao espelho, com calma, e às vezes com uma segunda opinião.

O ajuste é presencial. Altura, apoio no nariz, haste atrás da orelha. Mesmo o óculos de sol precisa de uma passada na loja para ficar bom.

O vale-presente tira tudo isso do caminho de quem compra. O senhor da cena não precisa saber o grau da esposa. Ele escolhe um valor, coloca uma mensagem e entrega no Natal. Ela vai à loja quando puder, escolhe a armação, traz a receita e faz o ajuste. O presente acontece do jeito certo, e quem decide é quem vai usar.

O que se presenteia na ótica

Óculos de grau completo. Armação e lentes. É o presente de maior valor e o que mais depende de escolha pessoal. Funciona muito em datas de família: Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal, aniversário de pai ou mãe com mais idade.

Óculos de sol. Mais simples de escolher, mas ainda pessoal. É o presente de verão, de viagem e de formatura. Algumas pessoas compram o óculos de sol pronto; o vale serve para quem não quer errar o modelo.

Lentes de contato e acessórios. Estojo, cordão, lenço, solução. São presentes menores, de lembrança, e combinam com valores mais baixos.

Troca de lentes. A pessoa ama a armação e só precisa de lentes novas. Um vale que paga parte das lentes é um presente útil e muito bem recebido por quem estava adiando a troca.

Em todos os casos, o vale é um crédito na loja, não um produto reservado. O Procon de Mato Grosso lembra que, por ser crédito, a loja não deve restringir o tipo de mercadoria em que ele é usado. Quem ganha pode usar o valor numa armação, em lentes, num óculos de sol ou até em óculos para outra pessoa da família.

Quais valores oferecer

A ótica tem um ticket mais alto que a maior parte do varejo de bairro, e o vale precisa refletir isso. Um vale de R$ 50 numa ótica parece pouco perto do preço de um óculos de grau. Ao mesmo tempo, o vale não precisa cobrir o óculos inteiro. Ele pode ser uma entrada generosa, e a pessoa completa a diferença como completaria qualquer compra.

Os valores abaixo são ilustrativos. Ajuste para os seus preços e para o público da sua loja.

Valor do vale Como costuma ser usado Para quem
R$ 100 Acessórios, solução, lentes de contato, parte de um óculos Lembrança, amigo, colega
R$ 300 Óculos de sol de entrada, ou boa parte de uma troca de lente Namorado, aniversário
R$ 500 Armação, ou óculos de sol de linha intermediária Pais, cônjuge, data forte
R$ 1.000 Grande parte de um óculos de grau completo Presente de família, coletivo

Pense no vale de R$ 500 como o carro-chefe. Ele é alto o bastante para parecer um presente de ótica e baixo o bastante para caber no orçamento de quem dá um presente de data. O vale de R$ 1.000 é o presente coletivo: os filhos se juntam e dão o óculos novo para a mãe.

Na conversa, evite prometer o que o valor compra sem conhecer o grau. Diga “com R$ 500 ela escolhe a armação e você deixa uma boa parte das lentes paga” em vez de “com R$ 500 sai um óculos completo”. O preço das lentes muda muito com o tipo, e só se sabe na hora com a receita na mão.

Validade: o prazo precisa caber na consulta

Esta é a parte em que a ótica é diferente da maioria das lojas. Quem ganha um vale de ótica nem sempre vai à loja no mês seguinte. Às vezes a pessoa precisa primeiro marcar uma consulta para ter uma receita atualizada, e isso depende da agenda dela e do profissional. Depois vem a escolha da armação, a encomenda das lentes e o ajuste.

Por isso um prazo curto é um problema maior aqui do que numa loja de roupa. Um vale de 3 meses pode vencer antes de a pessoa conseguir a consulta. Doze meses é o mínimo que faz sentido. Dezoito meses é uma escolha confortável para uma ótica, porque cobre a consulta, um período de indecisão e ainda uma data forte seguinte.

Não existe lei federal específica sobre vale-presente. O Código de Defesa do Consumidor pede que a informação seja clara (artigo 6º, inciso III) e que a oferta informe os prazos de validade de forma clara e ostensiva (artigo 31). A Defensoria Pública do Paraná resume: a validade é permitida desde que seja clara e informada antes da compra. O guia sobre validade do vale-presente explica o assunto em detalhe.

Na prática, escreva a data final no vale e diga na venda: “Ele vale até tal data. Dá tempo de ela marcar a consulta e escolher com calma.”

Objeções que aparecem no balcão

“Vale é muito impessoal para um presente desse valor.” O que deixa o vale pessoal é a montagem e a entrega. Quem compra pode colocar uma mensagem, uma foto, um áudio. Pode imprimir o envelope e entregar em mãos junto com o estojo vazio, como um convite para ir escolher. A surpresa continua; só a escolha muda de mão.

“E se ela não gostar de nenhuma armação daqui?” O vale também paga lentes, óculos de sol, acessórios ou óculos para outra pessoa. Diga isso. Se a loja tem catálogo para encomenda, diga também.

“Não sei se ela precisa trocar o grau.” Quem ganha resolve. Se a receita estiver em dia, ela usa o vale direto. Se não estiver, ela vê isso antes. O vale não depende dessa informação.

“E se sobrar?” O saldo fica no vale e pode ser usado aos poucos dentro da validade. O Procon-SP orienta que a diferença seja devolvida em moeda corrente ou contravale, e a Defensoria-PR lembra que a loja não pode ficar com ela. O guia de saldo e uso parcial mostra como organizar.

Como a equipe oferece

Na ótica, o vendedor costuma ter mais tempo com cada cliente do que em outras lojas. A conversa é mais longa e mais consultiva. O vale entra naturalmente em dois momentos.

O primeiro é quando a venda do presente trava, como na cena do começo. A frase é simples: “Óculos de grau precisa da receita e do rosto dela. O melhor presente é um vale: ela escolhe a armação com calma e faz as lentes com a receita dela.” O cliente sente alívio, porque o problema dele era justamente esse.

O segundo é no fim de uma venda, para quem acabou de fazer o próprio óculos. “Se alguém da família quiser te dar um óculos de sol no verão, a gente tem vale.” É uma frase para plantar, não para vender na hora.

Para o roteiro completo do balcão, veja o guia como vender vale-presente na loja física.

Um modelo de regras para a sua ótica, para adaptar:

Vale-presente. Este vale é um crédito para usar nesta ótica até a data indicada, em armações, lentes, óculos de sol, lentes de contato ou acessórios. Pode ser usado de uma vez ou em várias compras. Se a compra passar do saldo, a diferença é paga normalmente. Para lentes de grau, traga a sua receita. Dúvidas: fale com a loja pelo telefone ou WhatsApp indicado.

Cuidados próprios da ótica

Receita é dado de quem ganha. Quem compra o vale não precisa e não deve receber a receita de quem ganha. Peça a receita só para quem vai usar, no momento do uso, e trate esse documento com o mesmo cuidado que você já tem com os dados de qualquer cliente.

Encomenda e prazo de entrega. Lentes de grau costumam ser encomendadas. Quando o vale é usado numa compra com encomenda, o saldo é descontado no dia da compra, não no dia da entrega. Combine com a equipe como registrar isso para ninguém ficar em dúvida se o vale “já foi usado”.

Vale perto do vencimento. Se a pessoa chega com o vale no fim do prazo e a lente vai demorar, o que conta é a data da compra. Usar o vale dentro da validade e retirar o óculos depois é normal.

Preço que muda. Nunca venda “um óculos completo” sem valor. Entre a venda e o uso, o preço de uma armação ou de uma lente pode mudar, e o grau de quem ganha pode exigir uma lente mais cara. Em reais, todo mundo sabe o que foi dado.

Não prometa o que é do profissional. A equipe não sabe se quem ganha precisa de lente nova ou de grau diferente. A frase certa é “ela escolhe com a receita dela”, nunca uma opinião sobre a visão de alguém que não está ali.

Datas fortes para a ótica

O calendário de datas para vender vale-presente traz o ano todo. Para a ótica, estas pedem preparação:

  • Dia das Mães e Dia dos Pais. São datas de presente para pais e mães, muitas vezes de presente coletivo dos filhos, o que combina com valores mais altos.
  • Natal. O presente de quem não sabe o que dar a alguém que tem quase tudo.
  • Verão e férias. Época de óculos de sol, para presente e para viagem.
  • Formatura e aniversário. Óculos de sol de presente para quem vai começar uma fase nova.

Em data forte, o vale ajuda a ótica em outro ponto: o atendimento de óculos de grau é demorado, e a semana do Natal tem fila. Vender o vale em dezembro e fazer o óculos em janeiro, com calma, é melhor para a loja e para o cliente.

Como fazer isso com o Tem Vale-Presente

Com o Tem Vale-Presente, você vende o vale no balcão e recebe como já recebe, na maquininha, no PIX ou em dinheiro. No painel, a equipe digita o valor, de R$ 50 a R$ 1.000 por vale, e o e-mail de quem comprou. Quem comprou recebe um link, monta o presente com tema, mensagem e foto, vídeo ou áudio, e envia pelo WhatsApp, por e-mail ou impresso num envelope com QR code para entregar em mãos. Quem ganha abre no celular, sem app e sem criar conta. No caixa, a pessoa apresenta o código, escolhe quanto usar e confirma com um código enviado ao e-mail dela. O saldo é atualizado na hora. A validade padrão é de 12 meses, e você pode escolher 18 ou 24 meses nas configurações da loja. Veja como funciona e o preço.

Conclusão: o óculos que a pessoa escolhe

O senhor da cena queria dar um óculos novo, não um problema. Com o vale, ele dá o presente que queria e a esposa escolhe a armação, traz a receita e faz o ajuste quando puder. Para a sua ótica, três passos resolvem a partir de amanhã:

  1. Defina valores à altura da ótica, com um carro-chefe em torno de R$ 500 e uma opção alta para presente coletivo.
  2. Escolha uma validade que caiba numa consulta, de 12 ou 18 meses, com a data final escrita.
  3. Ensine a frase da receita para a equipe usar quando a venda de um óculos de presente travar.

Para continuar, leia o calendário de datas e o guia de saldo e uso parcial.

Perguntas frequentes

O vale pode ser usado só na armação ou só nas lentes?

Pode ser usado no que a pessoa escolher. O Procon-MT orienta que, por ser crédito, a loja não restrinja o tipo de mercadoria. Armação, lente, óculos de sol, lente de contato ou acessório, tudo entra.

E se o óculos custar mais que o vale?

A pessoa usa o saldo do vale e paga a diferença como paga qualquer compra, inclusive parcelada, se a sua loja parcela. O vale funciona como uma entrada.

Posso vender um vale de óculos completo, sem valor?

Evite. O preço de um óculos depende do grau e do tipo de lente, que você só conhece depois. Um vale sem valor vira discussão. Venda em reais e diga o que esse valor costuma cobrir.

Quem ganha pode usar o vale em óculos para outra pessoa?

Pode. O vale é um crédito na loja. Se a pessoa preferir fazer óculos para um filho ou para a mãe, a escolha é dela.

Qual validade é melhor para ótica?

Doze ou dezoito meses. A pessoa pode precisar marcar uma consulta antes de escolher, e o óculos não é compra de impulso. O importante é a data final estar escrita no vale.

Fontes

  1. Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), texto compilado
  2. Procon-MT, dicas para a compra de presente do Dia das Mães
  3. Procon-SP, dicas para compras do Dia dos Namorados (Agência SP)
  4. Defensoria Pública do Paraná, Vale-presente tem prazo de validade?

Conteúdo informativo, revisado na data acima. Não substitui a orientação de um advogado ou contador para o caso da sua loja.

Foto de Lucas Dutra

Quem escreveu

Lucas Dutra

Cofundador do Tem Vale-Presente

Especialista em tecnologia e startups, é um dos criadores e idealizadores do Tem Vale-Presente. Tem mais de 10 anos de experiência na área de tecnologia.