Pular para o conteúdo

Vale-presente para restaurante e cafeteria, como funciona

Resposta curta

No restaurante e na cafeteria, o vale-presente vende uma experiência, como um jantar a dois ou um café da manhã especial. Para funcionar sem atrito, venda em valor, defina e escreva se o vale cobre a taxa de serviço, deixe claro que o vale não garante reserva e permita usar o saldo em mais de uma visita.

Um casal senta numa sexta à noite e, na hora da conta, entrega o celular ao garçom com um vale-presente de R$ 250. Ganharam do irmão no aniversário de casamento. A conta deu R$ 238, mais R$ 23,80 de taxa de serviço. O garçom não sabe se o vale cobre os 10%. O caixa acha que não. O casal acha que sim, porque “o presente era o jantar”. Ninguém escreveu nada sobre isso, e a noite termina com um desconforto que não precisava existir.

Restaurante e cafeteria vendem um presente diferente do varejo. Não é uma peça que a pessoa leva para casa. É uma noite, um café da manhã com calma, uma comemoração. O vale-presente combina muito com isso, porque quem compra não precisa acertar o gosto de ninguém: dá a experiência e deixa o prato para quem vai comer. Mas o salão tem detalhes que a loja de roupa não tem, como taxa de serviço, gorjeta, reserva e conta dividida. Este guia explica como montar o vale para o seu restaurante ou cafeteria e o que escrever para a cena acima terminar bem.

O que se presenteia num restaurante

O vale de restaurante raramente é comprado por necessidade. Ele é comprado como experiência, e isso muda o jeito de pensar o produto. As ocasiões mais comuns são fáceis de imaginar:

  • Jantar de casal. Aniversário de namoro, de casamento, Dia dos Namorados.
  • Presente para pais e avós. Um almoço de domingo em família, pago por um filho que mora longe.
  • Agradecimento. Para a vizinha que cuidou do cachorro, para o colega que ajudou num projeto.
  • Presente de casamento. Um jantar para os noivos depois da lua de mel.
  • Cafeteria. Um café da manhã, um brunch, um mês de cafés para um amigo que trabalha perto.

Em todas, quem compra está dando tempo bem passado, não comida. A mensagem do presente faz muita diferença aqui: “para vocês saírem sem pensar na conta” diz mais que o valor.

Vale em valor, não vale de prato

Muitos restaurantes têm vontade de vender “um jantar para dois” ou “um menu degustação”. Faz sentido como ideia, mas é melhor vender em valor. Cardápio muda, preço muda, prato sai do menu, e quem ganhou pode ter uma restrição alimentar que quem comprou não conhecia. O artigo 30 do Código de Defesa do Consumidor diz que a informação dada na oferta obriga o fornecedor. Um vale que promete “um menu degustação” obriga a casa a entregar aquele menu, mesmo depois que ele mudou de preço.

Venda R$ 300 e diga, na conversa, que “hoje dá para um jantar para dois com entrada e sobremesa”. A promessa fica no valor, e a sugestão fica na fala e na mensagem.

Valores que fazem sentido

O valor do vale precisa cobrir a experiência que quem compra quer dar. Olhe o seu ticket médio por pessoa e monte as faixas a partir dele. Num restaurante em que uma pessoa gasta perto de R$ 120 com prato, bebida e sobremesa, por exemplo:

Valor O que costuma cobrir Ocasião típica
R$ 50 a R$ 100 Café da manhã, brunch, um almoço executivo Agradecimento, cafeteria, colega
R$ 200 a R$ 300 Jantar para dois com entrada, prato e sobremesa Casal, aniversário
R$ 500 a R$ 1.000 Jantar em família, menu especial, grupo pequeno Bodas, presente de grupo

Na cafeteria a conta é outra. O ticket é menor, e o vale de R$ 50 já cobre um café da manhã para dois. Um vale de R$ 100 pode virar várias visitas, o que é ótimo para criar hábito.

Pense também na taxa de serviço quando montar os valores. Se o vale não cobre os 10%, um jantar de R$ 250 vira uma conta de R$ 275, e quem ganhou paga a diferença. Se você sugere valores, sugira já pensando nisso.

Taxa de serviço e gorjeta: decida e escreva

Esta é a parte que mais gera atrito no restaurante, e a que menos aparece nos guias genéricos. A pergunta é simples: quando a mesa paga com vale, o vale cobre a taxa de serviço?

Não há lei federal específica sobre vale-presente, e nenhuma das fontes deste guia trata da taxa de serviço paga com vale. Por isso, trate como uma decisão do restaurante. O que o CDC exige, no artigo 6º, inciso III, e no artigo 31, é que a informação seja clara e esteja na oferta. Na prática, isso quer dizer: a casa escolhe, escreve no vale e a equipe responde igual em todas as mesas.

As duas escolhas têm lógica:

O vale cobre a taxa de serviço. O vale é tratado como qualquer forma de pagamento. A conta é somada com a taxa, e o saldo do vale paga o que der. Costuma ser o que quem ganhou imagina, porque ela pensa no vale como dinheiro. A equipe recebe a taxa como receberia num pagamento em cartão.

O vale não cobre a taxa de serviço. O vale paga o consumo, e a taxa é paga à parte. É uma regra possível, mas ela precisa estar muito visível no vale, porque contraria o que quem ganhou imagina. Se não estiver escrita, a discussão da cena de abertura vai acontecer.

Seja qual for a escolha, combine com a equipe como a taxa paga com vale chega aos garçons. Se a taxa coberta pelo vale não for repassada como as outras, a equipe vai preferir mesas que pagam em cartão, e o casal com vale vai sentir isso no atendimento.

A gorjeta espontânea, aquela que o cliente deixa além da taxa, é outra coisa. Ela é uma decisão de quem está na mesa. Diga na regra se o vale pode ou não ser usado para ela, e pronto.

Um texto que você pode adaptar:

Regras do vale-presente. Este vale pode ser usado no restaurante até a data indicada, em uma ou mais visitas, até o saldo acabar. O vale pode ser usado para pagar o consumo e a taxa de serviço. Se a conta passar do saldo, a diferença é paga normalmente. O vale não garante reserva: reserve pelo telefone ou WhatsApp indicado.

Se a sua regra for a outra, troque a segunda frase por “O vale pode ser usado para pagar o consumo. A taxa de serviço é paga à parte.”

Reservas e datas cheias

O vale é um crédito, não uma mesa. Isso parece óbvio para quem trabalha no salão e não é para quem ganhou. Quem recebe um vale de jantar no Dia dos Namorados quer usar no Dia dos Namorados do ano seguinte, ou no sábado da semana que vem, e chega sem reservar.

Escreva no vale que ele não garante reserva e diga como reservar. E pense, antes de vender, nas noites em que a casa trabalha com menu fechado ou lista de espera. Duas regras que evitam conflito:

  • Não bloqueie datas no vale. “Não vale em datas especiais” é o tipo de restrição que gera reclamação, e o Procon de Mato Grosso orienta que o vale, por ser crédito, não deve ser restringido a um tipo de mercadoria. Se a noite é de menu fechado, o vale paga o menu fechado.
  • Trate a reserva com vale como qualquer reserva. Se a casa pede sinal ou tem regra de cancelamento, a regra vale igual. Só não desconte do saldo do vale algo que não estava escrito.

A conta: uso parcial e mesa dividida

No restaurante, a conta quase nunca bate com o valor do vale. Às vezes sobra, às vezes falta. E a mesa pode ter quatro pessoas, uma delas com o vale.

A Defensoria Pública do Paraná diz que a loja não pode ficar com a diferença quando o consumidor usa menos que o valor. O Procon-SP orienta que a diferença seja devolvida em moeda corrente ou num novo vale, combinado e anotado na venda. Manter o saldo no próprio vale, com a mesma validade, resolve isso sem papel. O guia sobre saldo e uso parcial explica as opções.

Veja o caso de abertura com uma regra escrita de que o vale cobre a taxa:

  • Vale de R$ 250.
  • Conta do jantar: R$ 238, mais R$ 23,80 de taxa. Total: R$ 261,80.
  • O casal usa os R$ 250 do vale e paga R$ 11,80 no cartão. Saldo: zero.

Agora com um vale de R$ 300:

  • Mesma conta, R$ 261,80. O casal usa esse valor do vale. Saldo: R$ 38,20.
  • Duas semanas depois, voltam para um café com bolo de R$ 36. Saldo: R$ 2,20, que continua no vale até a validade.

Na mesa dividida, quem tem o vale usa o saldo na parte dela, e os outros pagam a parte deles. Para o caixa, é uma conta com duas formas de pagamento.

Datas fortes para restaurante e cafeteria

O calendário do vale-presente traz as principais datas do varejo. Para o restaurante, o peso é diferente do de uma loja:

  • Dia dos Namorados (12 de junho). A data do jantar a dois. Venda o vale nas semanas antes, para quem quer dar o jantar de presente e não conseguiu mesa.
  • Dia das Mães e Dia dos Pais. Almoço de domingo em família, muitas vezes pago por filhos que não estarão presentes.
  • Natal e fim de ano. Presente de amigo secreto, de empresa para clientes e de família.
  • Aniversários de casamento e de namoro. Acontecem o ano inteiro.

Uma observação sobre datas: muita gente compra o vale justamente porque não conseguiu reserva para a data. Se a casa está lotada no Dia dos Namorados, oferecer um vale para outra noite é uma saída melhor que um “não temos mesa”.

Como a equipe oferece o vale

No restaurante, quem tem mais oportunidade de oferecer o vale é quem fecha a conta e quem atende a reserva. Três momentos naturais:

  1. Quando a mesa comemora algo. “Se quiserem dar essa noite para alguém, a gente tem vale-presente.”
  2. Quando a reserva não cabe. “Para o dia 12 já estamos cheios. Se for presente, dá para fazer um vale para outra noite.”
  3. No caixa, perto das datas. Um aviso pequeno no balcão, perto da máquina de café ou da saída.

Treine a equipe para responder três perguntas sem hesitar: até quando vale, se cobre a taxa de serviço e se garante reserva. O guia como vender vale-presente traz o resto do passo a passo.

Cuidados próprios do restaurante

  • Resgate no caixa, não na mesa. O uso do vale pede um código que chega ao e-mail de quem ganhou. Combine se o garçom leva o celular ao caixa ou se a pessoa vai até lá.
  • Validade. Um jantar de presente pode esperar uma ocasião. Doze meses deixa espaço para isso. O guia sobre validade do vale-presente explica como informar.
  • Restrições alimentares. Vender em valor permite que quem ganhou escolha o que pode comer.
  • Dados de quem ganhou. Use o e-mail para o atendimento do vale e só mande divulgação a quem aceitou receber.

Como fazer isso com o Tem Vale-Presente

No Tem Vale-Presente, você vende o vale no caixa e recebe como já recebe, na maquininha, no PIX ou em dinheiro. No painel, a equipe digita o valor, de R$ 50 a R$ 1.000, e o e-mail de quem comprou. Quem comprou recebe um link para montar o presente com tema, mensagem, foto, vídeo ou áudio, e envia pelo WhatsApp, por e-mail ou num envelope impresso com QR code, que fica bonito entregue em mãos num jantar de aniversário. Quem ganha abre no celular, sem app. No caixa, ela apresenta o código, escolhe quanto usar e confirma com um código enviado ao e-mail dela. O saldo é atualizado na hora e pode ser usado em várias visitas até a validade que você escolher, de 3 a 24 meses. Veja o preço.

Conclusão: a noite que termina bem

Voltando ao casal do começo. Com a regra escrita no vale, o garçom não precisa perguntar a ninguém. Se o vale cobre a taxa, o casal usa os R$ 250 e paga R$ 11,80. Se não cobre, eles já sabiam disso quando sentaram. A noite termina como o irmão queria. Para chegar lá, três passos:

  1. Venda em valor e deixe o jantar sugerido na fala e na mensagem.
  2. Decida e escreva se o vale cobre a taxa de serviço e se garante reserva.
  3. Permita usar o saldo em mais de uma visita, com uma validade que dê tempo para a ocasião.

Depois, organize a operação com o guia como vender vale-presente e marque as datas do calendário do vale-presente.

Perguntas frequentes

O vale pode pagar a taxa de serviço?

Depende da regra que o restaurante definir. As duas escolhas são possíveis. O importante é decidir antes, escrever no vale e treinar a equipe para responder igual em todas as mesas.

O vale garante mesa no Dia dos Namorados?

Não, a não ser que o restaurante prometa isso. O vale é um crédito. A reserva segue as regras normais da casa, e vale avisar quem ganhou para reservar com antecedência.

O vale pode ser usado no delivery?

Só se você decidir e escrever. O uso pede que a pessoa apresente o código e confirme com o código que chega no e-mail dela, o que funciona melhor no caixa ou na mesa.

A mesa pode pagar parte com vale e parte com cartão?

Pode. Quem ganhou usa o saldo que quiser, e o resto da conta é pago como em qualquer mesa.

Dá para vender vale com menu fechado, como um jantar degustação?

Dá, mas venda em valor. Se o preço do menu mudar, o vale continua valendo o que foi pago, e a pessoa completa a diferença ou usa em outro pedido.

Fontes

  1. Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), texto compilado
  2. Defensoria Pública do Paraná, Vale-presente tem prazo de validade?
  3. Procon-SP, dicas para compras do Dia dos Namorados (Agência SP)
  4. Procon-MT, dicas para a compra de presente do Dia das Mães

Conteúdo informativo, revisado na data acima. Não substitui a orientação de um advogado ou contador para o caso da sua loja.

Foto de Lucas Dutra

Quem escreveu

Lucas Dutra

Cofundador do Tem Vale-Presente

Especialista em tecnologia e startups, é um dos criadores e idealizadores do Tem Vale-Presente. Tem mais de 10 anos de experiência na área de tecnologia.