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Vale-presente na Black Friday sem dar desconto

Resposta curta

Dá para participar da Black Friday sem baixar preço. O vale-presente vendido pelo valor cheio adianta os presentes de Natal e coloca dinheiro no caixa em novembro. Se quiser um atrativo, um bônus em cortesia custa menos que um desconto, porque só pesa quando é usado e sai pelo custo da mercadoria, mas as regras precisam estar escritas antes da venda.

Segunda-feira antes da Black Friday. A dona de uma loja de roupas passa pela rua e vê faixas de 30%, 40% e 50% em quase todas as vitrines. Ela faz a conta no celular e sabe que, com 40% de desconto, vende mais peças e ganha menos dinheiro do que numa semana comum. Ficar de fora também incomoda: o movimento está na rua, e o cliente que entra pergunta “qual é a promoção de vocês”.

Essa é a dúvida de muita loja pequena: como aproveitar a Black Friday sem queimar a margem. Uma saída é vender aquilo que o cliente vai comprar de qualquer jeito daqui a um mês, o presente de Natal, pelo preço cheio. O vale-presente faz isso. Este guia mostra como montar a oferta, quanto custa de verdade um bônus em cortesia, quais regras precisam estar escritas, um cronograma para a semana e um texto pronto para divulgar.

O tamanho da Black Friday e o problema da margem

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projetou para a Black Friday de 2025 um movimento de cerca de R$ 5,4 bilhões no varejo, alta de 2,4% sobre o ano anterior. O número é do varejo como um todo, não só de vale-presente, e mostra que a data atrai gente às compras. Em 2026, a Black Friday cai em 27 de novembro, a última sexta-feira do mês.

O problema do desconto é que ele vale para todas as vendas da semana, inclusive as que aconteceriam sem ele. A cliente que já ia comprar uma blusa de R$ 150 paga R$ 90 se a etiqueta diz 40%. A loja vendeu, mas entregou R$ 60 que não precisava entregar. Em loja pequena, com margem apertada, alguns dias assim pesam no mês inteiro.

Isso não quer dizer que desconto seja sempre errado. Para girar um estoque parado, ele pode fazer sentido. A questão é não usar desconto como única resposta ao movimento da semana.

O vale-presente vende sem desconto

Muita gente que sai às compras no fim de novembro já está pensando no Natal. Quer resolver os presentes antes de dezembro, quando a loja lota e o dinheiro aperta. O vale-presente atende essa pessoa sem mexer no preço: ela compra hoje um vale de R$ 100, paga R$ 100 e tira um presente da lista.

Para a loja, a lógica é simples:

  • O dinheiro entra em novembro, pela maquininha, no PIX ou em dinheiro, como numa venda comum.
  • A mercadoria sai depois, quando quem ganhou vier usar o vale, em geral perto do Natal ou em janeiro.
  • Quem ganha pode ser um cliente novo. Muitas vezes é alguém que nunca entrou na loja e vai conhecer o lugar por causa do presente.

A frase de balcão pode ser direta: “Já quer deixar um presente de Natal resolvido? O vale pode ser usado em qualquer peça da loja até tal data”.

Um cuidado: vender um vale de R$ 100 por R$ 90 é dar 10% de desconto numa compra futura. Pode ser uma escolha válida, mas não resolve o problema da margem. Se a ideia é não dar desconto, o vale sai pelo valor cheio e o atrativo, se houver, vem de outro jeito.

O bônus: compra um valor e ganha uma cortesia

Um atrativo comum é o bônus. A loja anuncia algo como “a cada R$ 500 em vale-presente, você ganha uma cortesia de R$ 50 para usar depois”. O cliente paga o valor cheio do vale e recebe um segundo vale, de cortesia, que a loja dá sem cobrar.

O bônus tem duas vantagens sobre o desconto. Ele só vale para quem compra o vale, não para todas as vendas da semana. E ele traz a pessoa de volta à loja numa segunda visita, quando ela pode, se quiser, comprar além do valor da cortesia.

A proporção é sua. Uma cortesia de 10% do valor comprado é fácil de explicar. Proporções maiores deixam o bônus mais chamativo e mais caro. O que importa é fazer a conta antes de anunciar.

O custo real do bônus para a loja

O bônus parece custar o valor dele, mas o custo real é outro. Quando a cortesia de R$ 50 é usada, a loja entrega mercadoria com preço de etiqueta de R$ 50. O que sai do seu bolso é o custo dessa mercadoria, não o preço. Se a peça custa para você metade do preço de venda, a cortesia custa cerca de R$ 25 em mercadoria.

Some a isso o que incide na saída da mercadoria. Se você usa um sistema que cobra uma porcentagem sobre o valor resgatado, ela costuma valer também para a cortesia. E há o imposto da venda da mercadoria, que depende do estado e do regime da loja. Em São Paulo, a Sefaz respondeu a uma consulta (Resposta à Consulta 29916/2024) dizendo que a venda do vale-presente é uma transação financeira, sem ICMS, e que a saída da mercadoria paga com o crédito é tributada. Essa resposta vale só para quem consultou. Para a cortesia, que não teve venda, confirme com o seu contador como registrar a saída.

Compare, num exemplo ilustrativo com margem de 50%:

Cenário A loja recebe agora O que a loja entrega Custo para a loja
Desconto de 10% numa compra de R$ 500 R$ 450 R$ 500 em mercadoria, na hora R$ 50 a menos de receita, na hora
Vale de R$ 500 com cortesia de R$ 50 R$ 500 R$ 550 em mercadoria, depois Cerca de R$ 25 em mercadoria, se usada
Vale de R$ 500 sem bônus R$ 500 R$ 500 em mercadoria, depois Nenhum além da venda normal

Na hora de planejar, conte como se todas as cortesias fossem usadas. É o cenário mais seguro e o mais justo com o cliente. A conta do bônus não deve depender de cortesia esquecida.

Uma ideia que ajuda: enviar a cortesia em janeiro, e não no dia da compra. Assim ela traz a pessoa de volta num mês mais calmo, depois do Natal. Se fizer isso, escreva na regra quando a cortesia será enviada e cumpra a data.

As regras que precisam estar escritas

O Código de Defesa do Consumidor diz, no artigo 30, que a informação dada na oferta obriga quem oferece e passa a fazer parte do contrato. O artigo 31 pede que a oferta informe de forma clara e ostensiva, entre outras coisas, os prazos de validade. Na prática, tudo o que você anunciar sobre o bônus vira compromisso. Por isso, decida e escreva antes de divulgar:

  1. O valor mínimo para ganhar a cortesia e se ele vale por compra ou por cliente.
  2. O valor da cortesia e se quem compra R$ 1.000 ganha duas.
  3. O período da promoção, com data e hora de início e fim.
  4. Quando a cortesia chega e para qual e-mail.
  5. A validade da cortesia e a validade do vale comprado, com a data final de cada um.
  6. Onde a cortesia vale: só nesta loja, em qualquer produto.
  7. Se a cortesia vira dinheiro. O mais comum é que não vire.

O Procon-SP orienta o consumidor a pedir por escrito em que consiste o vale, o valor e o eventual prazo para usá-lo. Se a sua regra já entrega isso, você evita a discussão antes que ela comece.

Um modelo para adaptar:

Bônus de Black Friday. De 23/11 a 29/11, a cada R$ 500 em vale-presente comprados de uma vez, você ganha uma cortesia de R$ 50. A cortesia é enviada no dia 4 de janeiro para o mesmo e-mail da compra e vale nesta loja, em qualquer produto, até a data escrita nela. A cortesia não é trocada por dinheiro. O vale comprado segue as regras de sempre da loja.

Confira cada frase com o que você vai fazer de verdade. Se mudar uma data, mude no texto também.

Cronograma da semana

Um plano simples para a semana de 23 a 29 de novembro de 2026:

  • Semana anterior (16 a 20/11): decida se vai ter bônus, faça a conta, escreva a regra e combine com a equipe a frase de oferta. Imprima a regra para o balcão.
  • Segunda (23/11): publique o primeiro post e a primeira mensagem para a lista de clientes. Deixe a regra visível no caixa.
  • Terça e quarta (24 e 25/11): responda às dúvidas que chegarem. Ajuste a fala da equipe com base nas perguntas que mais aparecerem.
  • Quinta (26/11): lembrete nos stories e no WhatsApp: “amanhã é Black Friday e o presente de Natal já pode ficar resolvido”.
  • Sexta (27/11): dia de mais movimento. Uma pessoa da equipe fica responsável pelas vendas de vale para não atrasar a fila.
  • Sábado e domingo (28 e 29/11): último aviso, com a data e a hora em que o bônus acaba.
  • Segunda (30/11): encerre o bônus no horário prometido. Anote quantas cortesias você deve e para quando.

Depois da sexta, continue oferecendo o vale, sem o bônus. A procura por presente de Natal só cresce até dezembro.

Modelo de texto para Instagram e WhatsApp

Para o Instagram, na legenda do post:

Nesta Black Friday, a gente não mexeu nos preços. Mas dá para resolver o presente de Natal agora. O vale-presente vale em qualquer peça da loja, e quem ganha escolhe com calma. Até domingo, a cada R$ 500 em vale, você ganha uma cortesia de R$ 50 para usar em janeiro. Regras completas no balcão e no link da bio.

Para o WhatsApp, numa mensagem curta para a sua lista:

Oi, aqui é da [nome da loja]. Nesta Black Friday, o vale-presente ganhou um bônus: a cada R$ 500 em vale, uma cortesia de R$ 50 para usar em janeiro. Vale até domingo, 29/11. É só passar na loja. Se tiver dúvida, responda esta mensagem.

Repare que a mensagem não traz link de pagamento. O Procon-SP orienta o consumidor a desconfiar de links recebidos por WhatsApp e SMS, e a sua mensagem fica mais confiável quando chama a pessoa para a loja e se identifica com o nome. Mande só para quem é cliente e aceitou receber mensagens da loja.

Erros comuns

  • Anunciar o bônus sem regra escrita. Na sexta à noite, alguém pergunta se duas compras de R$ 250 somam, e cada atendente responde uma coisa.
  • Não fazer a conta da cortesia. O bônus parece barato até a loja somar quantas foram emitidas.
  • Prometer uma data de envio e esquecer. Se a cortesia é enviada em janeiro, anote no calendário quem deve receber e quando.
  • Encerrar o bônus antes do horário anunciado. O que foi divulgado obriga a loja até o fim.
  • Parar de oferecer o vale na segunda. O Natal ainda está pela frente.

Como fazer isso com o Tem Vale-Presente

No Tem Vale-Presente, você vende o vale no balcão e recebe como já recebe, na maquininha, no PIX ou em dinheiro. A equipe digita o valor, de R$ 50 a R$ 1.000, e o e-mail de quem comprou. Essa pessoa recebe um link para montar o presente com mensagem, foto, vídeo ou áudio e envia pelo WhatsApp, por e-mail ou num envelope impresso com QR code. A cortesia do bônus é emitida no mesmo painel, pelo responsável da loja, com o mesmo limite de R$ 50 a R$ 1.000, um motivo obrigatório e a data de validade que você escolher, e fica marcada como cortesia no histórico. Por isso, o bônus funciona a partir de cortesias de R$ 50, como no exemplo de R$ 500 com R$ 50. O preço é uma mensalidade fixa mais uma porcentagem só sobre o valor resgatado, que também incide quando a cortesia é usada. Veja o preço e a calculadora.

Conclusão: Black Friday com o preço de sempre

A dona da loja da cena do começo não precisa colocar 40% na vitrine para entrar na semana. Ela pode anunciar o presente de Natal resolvido, pelo preço cheio, e, se quiser, um bônus que custa menos que um desconto. Três passos:

  1. Ofereça o vale pelo valor cheio a quem já está pensando no Natal.
  2. Se tiver bônus, faça a conta e escreva a regra antes do primeiro post.
  3. Siga o cronograma e mantenha a oferta depois da sexta.

Para o mês seguinte, leia como vender vale-presente no Natal e vale-presente de última hora. Se a validade ainda é uma dúvida, veja vale-presente pode ter validade. O passo a passo geral está em como vender vale-presente na loja física, as outras datas do ano no calendário do varejo. Se empresas pedirem vale para a confraternização, veja vale-presente no amigo secreto da empresa.

Perguntas frequentes

Posso vender o vale-presente com desconto na Black Friday?

Pode, a decisão é comercial. Só lembre que vender um vale de R$ 100 por R$ 90 é um desconto de 10% sobre uma compra futura, com o mesmo efeito na margem. O bônus em cortesia costuma pesar menos.

A cortesia do bônus pode ter validade menor que o vale comprado?

Pode, desde que a data esteja escrita na regra da promoção e na própria cortesia antes da compra. Um prazo curto demais deixa uma experiência ruim, então dê tempo suficiente para a pessoa voltar com calma.

Quem compra vários vales ganha várias cortesias?

Depende do que você escrever na regra. Defina antes se o bônus é por compra ou por faixa de valor e se existe um limite por cliente. O que estiver escrito na oferta obriga a loja.

A cortesia pode ser trocada por dinheiro?

A cortesia é um brinde da loja, sem pagamento. Deixe escrito na regra da promoção que ela vale só para compras na loja. Para o vale comprado, siga a sua política de saldo de sempre.

Vale a pena divulgar o vale só na semana da Black Friday?

A semana concentra o movimento, mas quem compra para o Natal decide até dezembro. Mantenha a oferta do vale depois da sexta, sem o bônus, e reforce perto do Natal.

Fontes

  1. CNC, projeção de vendas para a Black Friday 2025
  2. Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), texto compilado
  3. Procon-SP, dicas para compras do Dia dos Namorados (Agência SP)
  4. Procon-SP, golpe do WhatsApp
  5. Sefaz-SP, Resposta à Consulta 29916/2024

Conteúdo informativo, revisado na data acima. Não substitui a orientação de um advogado ou contador para o caso da sua loja.

Foto de Lucas Dutra

Quem escreveu

Lucas Dutra

Cofundador do Tem Vale-Presente

Especialista em tecnologia e startups, é um dos criadores e idealizadores do Tem Vale-Presente. Tem mais de 10 anos de experiência na área de tecnologia.