Como vender vale-presente no Natal
Resposta curta
Comece em novembro, decidindo validade, valores e a frase que a equipe vai usar. Em dezembro, deixe o vale visível no balcão e ofereça a quem não sabe o que dar. Escolha uma validade que passe com folga de janeiro, como 12 meses, porque é quando a maior parte dos presentes volta à loja, junto com as trocas.
Dia 23 de dezembro, quatro da tarde. A loja está cheia, a fila do caixa dobra o corredor e uma cliente para no balcão com cara de cansada. “Falta o presente da minha sogra e eu não faço ideia do que ela gosta.” A atendente oferece um vale-presente. A cliente aceita na hora, mas ninguém sabe direito qual valor sugerir, como entregar e até quando ele vale. Enquanto a equipe descobre, a fila cresce.
O Natal é a data em que o vale-presente mais faz sentido, porque é quando mais gente precisa dar presente para alguém que não conhece bem. Mas o vale vende melhor quando a loja se prepara antes de dezembro. Este guia mostra o que fazer de novembro até o dia 24, como preparar a equipe e o balcão, quais valores oferecer, como escolher a validade pensando em janeiro e como receber bem quem chega com o presente. No fim, há um checklist para imprimir.
O tamanho do Natal no varejo
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projetou para o Natal de 2025 vendas de R$ 72,71 bilhões no varejo, alta de 2,1% sobre o ano anterior e o melhor resultado desde 2014. O número é do varejo como um todo, não só de vale-presente, e coloca o Natal muito à frente das outras datas do ano.
Esse movimento chega à loja de duas formas. Em dezembro, como venda: gente procurando presente, muitas vezes para várias pessoas de uma vez. Em janeiro, como visita: quem ganhou vale vem usar, quase sempre no meio das trocas. Uma boa preparação pensa nos dois meses.
Quem compra vale-presente no Natal
Vale a pena pensar em quem vai pedir o vale, porque cada perfil pede uma fala diferente no balcão.
- Quem não sabe o que dar. A sogra, o cunhado, a professora do filho. A pessoa quer acertar e tem medo de errar o tamanho ou o gosto. O vale resolve, porque quem ganha escolhe.
- Quem está no amigo secreto. O valor costuma ser combinado antes, e o vale entrega exatamente esse valor.
- Quem deixou para a última hora. No dia 23 ou 24 não há tempo para pesquisar. O vale sai em minutos.
- Empresas. Confraternizações de fim de ano pedem vários presentes de valor parecido.
Para quem não sabe o que dar, a frase de balcão pode ser simples: “Se a senhora não tem certeza do tamanho, um vale deixa ela escolher com calma depois das festas”.
Novembro: decida regras, validade e valores
A primeira quinzena de novembro é o momento de decidir, porque depois não haverá tempo.
A validade. Pense em janeiro. É quando a maior parte de quem ganhou vem à loja, e é também o mês das trocas, com a loja cheia. Se a validade for curta, quem ganhou se sente obrigado a vir na pior semana do ano. Com 12 meses contados da venda, um vale de Natal vale até o Natal seguinte, e a pessoa pode usar no carnaval, no Dia das Mães ou no aniversário. A lei não fixa prazo: a Defensoria Pública do Paraná lembra que a validade é permitida se for clara e informada antes da compra, e o artigo 31 do Código de Defesa do Consumidor pede que a oferta informe prazos de validade de forma clara e ostensiva. Os detalhes estão no guia vale-presente pode ter validade.
Se você pretende mudar a validade, mude antes de começar a vender. A informação dada na venda obriga a loja, segundo o artigo 30 do CDC, então uma regra nova vale só para os vales vendidos depois dela.
Os valores. Escolha três valores para sugerir no balcão, em vez de deixar a pessoa decidir do zero. Um exemplo:
| Valor | Para quem |
|---|---|
| R$ 50 | Amigo secreto, colega de trabalho, lembrança |
| R$ 100 | Familiar, presente principal de valor médio |
| R$ 200 | Presente principal, casal, quem gasta mais na loja |
Ajuste ao seu tíquete médio. Se uma peça típica da loja custa R$ 180, um vale de R$ 50 compra pouco, e o valor do meio talvez deva ser R$ 200. O vale deve comprar algo que faça sentido sozinho.
As regras de uso. Escreva em poucas linhas: onde o vale vale, até quando, se pode ser usado aos poucos e o que acontece com o saldo. O Procon-SP orienta o consumidor a pedir por escrito em que consiste o vale, o valor e o eventual prazo, e a combinar como a diferença será devolvida. Se a loja entrega isso pronto, a conversa de janeiro fica fácil.
A equipe: todo mundo sabe vender e todo mundo sabe receber
Em dezembro, quem atende pode ser um temporário que entrou na semana. O vale precisa ser simples a ponto de qualquer pessoa da equipe vender e explicar.
Combine três coisas:
- A frase de oferta. Uma só, curta, para o momento em que o cliente hesita. “Quer levar um vale? Quem ganha escolhe depois.”
- A frase de explicação. “Ele vale até tal data, em qualquer produto da loja, e pode ser usado aos poucos.”
- O passo a passo da venda. Quem registra, o que pedir ao cliente e como entregar.
Peça só o necessário a quem compra. Se o sistema usa o e-mail de quem comprou para enviar o vale, diga isso na hora e use o e-mail só para isso. É o mínimo para respeitar a LGPD e passa confiança.
Faça um ensaio rápido antes de dezembro: cada pessoa da equipe vende um vale de mentira e explica a regra para um colega. Dez minutos evitam muita fila no dia 23.
O balcão de dezembro
O vale vende quando o cliente vê que ele existe. Coloque um aviso no caixa e perto das peças mais procuradas, com os três valores sugeridos e a frase “quem ganha escolhe”. O caixa é o lugar mais importante, porque é onde a pessoa lembra que ainda falta um presente.
Pense também na entrega. Muita gente quer algo para colocar debaixo da árvore. Um envelope bonito, com o vale impresso, resolve isso. Outras pessoas preferem mandar no celular, junto com uma mensagem. Ter as duas opções evita perder a venda.
Nos dias 23 e 24, separe uma pessoa para os vales, se o movimento permitir. A venda do vale é rápida, e tirar esses clientes da fila principal ajuda todo mundo. Para esses dias, veja também vale-presente de última hora.
Checklist de preparação
Para imprimir e colar perto do caixa:
- Até 15/11: definir a validade e conferir se ela passa com folga de janeiro.
- Até 15/11: escolher os três valores sugeridos.
- Até 15/11: escrever as regras de uso em poucas linhas.
- Até 20/11: combinar com a equipe a frase de oferta e a de explicação.
- Até 20/11: decidir se haverá alguma ação na Black Friday, em 27/11.
- Até 30/11: imprimir os avisos do balcão e preparar os envelopes.
- Até 30/11: preparar um texto para atender empresas e amigos secretos.
- 1º a 10/12: divulgar nas redes e para a lista de clientes que aceitou receber mensagens.
- Até 10/12: treinar os temporários com um ensaio de venda.
- 15 a 24/12: reforçar a oferta no caixa e separar alguém para os vales nos dias de pico.
- Até 31/12: combinar com a equipe como receber quem vem usar o vale em janeiro.
Janeiro: os resgates e o cliente novo
Em janeiro, a loja recebe dois tipos de visita ao mesmo tempo: quem vem trocar um presente e quem vem usar um vale. Os dois chegam com um presente na mão e pouca paciência para fila.
Quem traz um vale tem uma particularidade: muitas vezes nunca entrou na loja. Foi a sogra da cena do começo que ganhou o presente, não a cliente que comprou. Essa pessoa está conhecendo o lugar agora, e a forma como for recebida decide se ela volta.
Alguns cuidados:
- Aceite o vale sem complicação dentro da validade. Recusar por um motivo que não estava escrito, como “não vale em liquidação”, é o tipo de coisa que gera reclamação.
- Explique o saldo. Se a pessoa usar menos que o valor, o resto continua no vale. A Defensoria Pública do Paraná lembra que a loja não pode ficar com a diferença.
- Se a compra passar do valor, a diferença é paga normalmente. Diga isso com naturalidade, sem pressionar.
- Apresente a loja. Quem chega com um vale ainda não sabe o que você tem. Mostrar as peças e oferecer ajuda transforma o resgate numa primeira visita boa.
Com validade de 12 meses, quem preferir fugir da confusão de janeiro pode voltar em fevereiro ou março. É mais um motivo para não escolher um prazo curto no Natal.
Erros comuns
- Escolher a validade em cima da hora e descobrir que ela vence no meio das trocas.
- Deixar a pessoa escolher o valor do zero. Sem sugestão, a venda demora e às vezes não acontece.
- Esconder o vale atrás do balcão. Se ninguém vê, ninguém pede.
- Treinar só quem é fixo. O temporário é quem mais atende em dezembro.
- Tratar o resgate como incômodo. Quem chega em janeiro com um vale é um cliente novo.
Como fazer isso com o Tem Vale-Presente
No Tem Vale-Presente, a equipe vende o vale no balcão e a loja recebe como já recebe, na maquininha, no PIX ou em dinheiro. No painel, quem atende digita o valor, de R$ 50 a R$ 1.000, com atalhos de R$ 50, 100, 150, 200, 300 e 500, e o e-mail de quem comprou. Essa pessoa recebe um link para montar o presente com tema, mensagem, foto, vídeo ou áudio e envia pelo WhatsApp, por e-mail ou num envelope impresso com QR code para colocar debaixo da árvore. Quem ganha abre no celular, sem app e sem criar conta. No caixa, a pessoa apresenta o código, escolhe quanto usar e confirma com um código enviado ao e-mail dela, e o saldo é atualizado na hora. A validade padrão é de 12 meses a partir da venda, e você pode escolher 3, 6, 12, 18 ou 24 meses. Ela fica gravada em cada vale na venda. A equipe e os vales são ilimitados, o que ajuda a incluir os temporários de dezembro. Veja como funciona e o preço.
Conclusão: o Natal começa em novembro
A cena do dia 23 se resolve com o que foi decidido semanas antes. Se a atendente já sabe os três valores, a frase de explicação e como entregar, a venda leva poucos minutos e a fila anda. Três passos:
- Decida em novembro a validade, os valores e as regras de uso.
- Prepare a equipe e o balcão antes de dezembro, incluindo os temporários.
- Receba bem em janeiro quem chega com o vale, porque é um cliente novo.
Se quiser começar o movimento antes, leia vale-presente na Black Friday sem dar desconto. Para as confraternizações, veja vale-presente no amigo secreto da empresa e o sorteio de amigo secreto grátis. O passo a passo geral está em como vender vale-presente na loja física, e as outras datas no calendário do varejo.
Perguntas frequentes
Quando começar a divulgar o vale-presente de Natal?
Na segunda quinzena de novembro, aproveitando o movimento da Black Friday. Reforce nas duas semanas antes do dia 24, quando a procura por presente cresce.
Posso mudar a validade só para os vales de Natal?
Pode mudar a política antes de começar a vender, e ela vale para os vales vendidos depois da mudança. O que não pode é encurtar a validade de um vale já vendido.
Quem ganhou o vale pode usar em produto que estava em promoção em janeiro?
Se a regra do vale não diz o contrário, sim. Vale-presente é crédito na loja, e uma restrição que não foi informada na venda gera reclamação. Se você tiver alguma exceção, escreva antes de vender.
O que fazer se quem ganhou quiser usar só parte do valor?
Deixe a pessoa usar aos poucos. O saldo continua no vale até a data final. A loja não pode simplesmente ficar com a diferença.
Vale a pena oferecer vale para empresas no Natal?
Vale. Confraternizações e amigos secretos de fim de ano pedem presentes de valor parecido para muita gente. Prepare uma forma de atender pedidos de vários vales de uma vez.
Fontes
- CNC, Natal 2025 deve ter o maior volume de vendas dos últimos 10 anos
- Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), texto compilado
- Defensoria Pública do Paraná, Vale-presente tem prazo de validade?
- Procon-SP, dicas para compras do Dia dos Namorados (Agência SP)
Conteúdo informativo, revisado na data acima. Não substitui a orientação de um advogado ou contador para o caso da sua loja.

